“Qualquer cessão de bens do município que chegar nessa casa (câmara) se a empresa for grande porte para receber de graça espaço e bens do município eu vou fazer emendas, pode ser derrubada quantas vezes for………..”
Com queda de 14% no número de habitantes segundo o IBGE, o município enfrenta resistência política para atrair grandes investidores e gerar empregos.
NANUQUE – O cenário econômico de Nanuque atravessa um momento de decisões críticas. Enquanto o Brasil discute a reindustrialização, o município parece caminhar na contramão. O impasse entre a necessidade urgente de novos postos de trabalho e a postura de parte do Legislativo tem afastado empresas de grande porte que buscam se instalar na região.
Os números do Censo 2022 do IBGE não mentem e desenham um quadro de esvaziamento preocupante. Em pouco mais de uma década, a cidade viu uma parcela significativa de seus cidadãos partir:
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População em 2010: 40.834 pessoas
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População em 2022: 35.038 pessoas
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Redução Real: -5.796 habitantes (-14,19%)
Essa perda populacional está diretamente ligada à falta de oportunidades. Sem indústrias e empresas de grande porte, a juventude nanuquense busca o mercado de trabalho em capitais ou em cidades polo que oferecem melhores condições de renda.
A Barreira Legislativa
A resistência à chegada de novos investimentos ganhou rosto e voz no plenário. Recentemente vereadores de Nanuque manifestaram uma postura que ecoa entre parte dos parlamentares, sinalizando um rigor que, para muitos empreendedores, soa como barreira burocrática.
Em sua fala, a parlamentar foi enfática ao declarar que haverá marcação cerrada sobre qualquer projeto de concessão:
“Qualquer empresa de grande porte que quiser usufruir de espaço do município, eu vou colocar emenda”, afirmou a vereadora.
Embora o papel do vereador seja fiscalizar, o excesso de emendas e condicionantes em projetos de incentivo pode tornar a instalação de uma fábrica ou centro logístico em Nanuque juridicamente insegura ou financeiramente inviável, fazendo com que o investidor procure cidades mais “acolhedoras”.
O Contraste: Cidades que Crescem com Incentivos
Enquanto Nanuque impõe barreiras, cidades que entenderam a dinâmica do mercado moderno estão colhendo os frutos da geração de emprego e renda através de benefícios fiscais e cessão de áreas:
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Extrema (MG): Doou terrenos e reduziu impostos para se tornar o maior polo logístico do Brasil, atraindo empresas como Mercado Livre e Panasonic. Resultado: pleno emprego.
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Coronel Fabriciano (MG): Atualizou recentemente seu Código Tributário para oferecer isenções estratégicas e atrair novas empresas para seu Distrito Industrial em parceria com a FIEMG.
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Montes Claros (MG): Mantém um programa sólido de doação de terrenos interligados à malha ferroviária e rodoviária, consolidando-se como polo industrial do Norte de Minas.
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Três Lagoas (MS): Concedeu incentivos robustos e hoje é a capital mundial da celulose, com pleno emprego e crescimento populacional constante.
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Teófilo Otoni (MG): Tem buscado parcerias e infraestrutura para fortalecer seu polo comercial e industrial, evitando a fuga de talentos regionais.
Exemplos na Bahia

Geração de empregos na Bahia
Várias cidades da Bahia possuem políticas consolidadas de doação de terrenos ou concessão de direito de uso para atrair indústrias, geralmente articuladas entre as prefeituras e o Governo do Estado (SDE):
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Camaçari: Histórico de décadas de concessão de áreas. Recentemente viabilizou a instalação da BYD com protocolos de intenções que envolvem o uso do terreno e infraestrutura.
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Alagoinhas: Utiliza a doação de terrenos em áreas industriais estratégicas para atrair gigantes como o Grupo Petrópolis e a Heineken.
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Feira de Santana: Possui o Centro Industrial do Subaé (CIS), onde a cessão do terreno é condicionada ao número de empregos gerados.
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Vitória da Conquista: Avançou com a doação de áreas para o novo Polo Têxtil e o setor de logística.
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Luís Eduardo Magalhães: A doação de áreas em distritos industriais planejados transformou a cidade em uma das mais ricas do estado.
Conclusão
O futuro de Nanuque depende de um consenso entre o Executivo, o Legislativo e a sociedade civil. O dado do IBGE é um sintoma de uma cidade que precisa de oxigênio econômico. A pergunta que fica para os representantes do povo é: o rigor das emendas serve para proteger o patrimônio público ou está servindo apenas para isolar Nanuque do progresso?


